sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Lição de Vida: Rocky Balboa

Muitos amigos já me disseram que a franquia "Rocky", filmes estrelados pelo ator Sylvester Stallone era de mau gosto, produção porca e sem história. O retorno do ator ao seu famoso papel, talvez mais famoso até que o boina verde John Rambo, gerou críticas, por se tratar de um boxeador já em seus 60 anos de idade. Para mim, o filme é bem mais que isso, como para todos que conseguem enxergar além do óbvio, que conseguem abstrair uma máxima e um pano de fundo e entender que tipo de mensagem vem criptografada sob a máscara do longa. Segue a tradução do discurso de Rocky Balboa a seu filho. Leia, veja e reflita. Em seguida, me diga se realmente é um filme vazio voltado para pancadarias:


"The world ain't all sunshine and rainbows. It's a very mean and nasty place and I don't care how tough you are, it will beat you to your knees and keep you there permanently if you let it. You, me or nobody is gonna hit as hard as life. But ain't about how hard you can hit. It's about how hard you can get hit and keep moving forward, how much you can take and keep moving forward. That's how winning is done. Now, if you know what you worth, go out and get what you worth. But you gotta be willing to take the hits. Not pointing fingers saying you ain't what you wanna because of him, her or nobody. Cowards do that and that ain't you! You're better than that!"

O mundo não é feito de luz do sol e arco-íris. É um lugar muito mau e sórdido e não me importa quão forte você é, ele vai te bater até te jogar no chão e mantê-lo lá permanentemente se você permitir. Eu, você ou qualquer um jamais baterá tão forte quanto a vida. Mas não é sobre o quão forte você consegue bater. É sobre quão forte você consegue ser atingido e continuar seguindo em frente, quanto você aguenta levar e seguir em frente. É assim que se consegue vencer. Agora, se você sabe o quanto você merece, vá lá e consiga o que merece. Mas você terá que estar disposto a aguentar os trancos. E não sair apontando dedos dizendo que você não é o que quer ser por causa dele, dela ou de qualquer um. Covardes fazem isso e este não é você! Você é melhor que isso!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O Doutor e o “Dotô”

Quem nunca chamou um médico ou advogado de doutor? Quem nunca marginalizou as demais profissões que tem tanta ou até mais importância que as anteriores? E quem nunca achou que, só por usar branco, era médico?

Antigamente, o nível superior se restringia quase que apenas à Medicina, o Direito e a Engenharia. Entre os três, os médicos com suas impecáveis roupas brancas e os advogados com seus irrepreensíveis ternos se destacavam, e os engenheiros nem tanto. Hoje, temos faculdades para todos os cantos, e para finalidades que nem sabíamos existir. Ou mesmo que achemos necessárias. Mas será que são mesmo desnecessárias?

Quem faz parte das classes mais novas, quase sempre se sente marginalizado e desvalorizado justamente por conta da ignorância que carregamos conosco. Se um curso de Medicina dura seis anos, de Direito, cinco anos, e um de Artes Cênicas, cinco anos, deve mesmo ser diferenciado? Hoje, na área de saúde, temos além da medicina, cursos de psicologia, fisioterapia, nutrição, enfermagem, educação física e outros. Mas o reconhecimento técnico-científico e mais ainda financeiro, não se compara.

A discrepância é tanta, que um médico recém formado chega a ganhar três vezes mais que qualquer outro profissional da saúde, mesmo este possuindo mais tempo de estudo, mais títulos e mais conhecimento. Ignora-se que Doutor é aquele que tem o título por ter demonstrado conhecimento através de um doutorado, que chega a ser duas ou três vezes mais longo que um mestrado.

Em experiência própria, já cheguei a discutir com médicos de vasta experiência sobre o assunto e, como nenhum deles apresenta a titulação necessária, me recuso a chamá-los de doutor, a não ser em frente aos pacientes. Mas nesse caso, exijo o mesmo tratamento por parte deles. Ainda mais no interior do que nas capitais, o título de doutor ostentado por esses profissionais satisfaz seus egos, e muitas vezes não são justificados nas ações.

Uma questão dessas pode parecer irrelevante para a maioria da população, mas é visível em locais onde é constante a interdisciplinaridade, os desgastes e a queda do nível de qualidade por essa forma diferenciada de tratamento. Aí chegamos ao que interessa a todos: a qualidade do atendimento. Imagine você ou uma pessoa próxima a ser atendido num hospital. Todos fazem o que podem e o que não podem para dar o melhor atendimento possível. Ao menos, de inicio. Com o tempo e o desgaste, o trabalho passa a ser muito mais a sobrevivência e a obrigação de um salário do que o prazer em ajudar pessoas... E aí é que mora o perigo.

Por isso, da próxima vez que vir alguém de branco, não se esqueça que pode ser um açougueiro, e quando vir alguém de terno, pode ser um segurança. Não desmerecendo nenhuma das classes, mas elas não são endeusadas como os médicos e advogados. Pense se deve tratá-los como Doutor ou como “Dotô”.