Quem nunca chamou um médico ou advogado de doutor? Quem nunca marginalizou as demais profissões que tem tanta ou até mais importância que as anteriores? E quem nunca achou que, só por usar branco, era médico?
Antigamente, o nível superior se restringia quase que apenas à Medicina, o Direito e a Engenharia. Entre os três, os médicos com suas impecáveis roupas brancas e os advogados com seus irrepreensíveis ternos se destacavam, e os engenheiros nem tanto. Hoje, temos faculdades para todos os cantos, e para finalidades que nem sabíamos existir. Ou mesmo que achemos necessárias. Mas será que são mesmo desnecessárias?
Quem faz parte das classes mais novas, quase sempre se sente marginalizado e desvalorizado justamente por conta da ignorância que carregamos conosco. Se um curso de Medicina dura seis anos, de Direito, cinco anos, e um de Artes Cênicas, cinco anos, deve mesmo ser diferenciado? Hoje, na área de saúde, temos além da medicina, cursos de psicologia, fisioterapia, nutrição, enfermagem, educação física e outros. Mas o reconhecimento técnico-científico e mais ainda financeiro, não se compara.
A discrepância é tanta, que um médico recém formado chega a ganhar três vezes mais que qualquer outro profissional da saúde, mesmo este possuindo mais tempo de estudo, mais títulos e mais conhecimento. Ignora-se que Doutor é aquele que tem o título por ter demonstrado conhecimento através de um doutorado, que chega a ser duas ou três vezes mais longo que um mestrado.
Em experiência própria, já cheguei a discutir com médicos de vasta experiência sobre o assunto e, como nenhum deles apresenta a titulação necessária, me recuso a chamá-los de doutor, a não ser em frente aos pacientes. Mas nesse caso, exijo o mesmo tratamento por parte deles. Ainda mais no interior do que nas capitais, o título de doutor ostentado por esses profissionais satisfaz seus egos, e muitas vezes não são justificados nas ações.
Uma questão dessas pode parecer irrelevante para a maioria da população, mas é visível em locais onde é constante a interdisciplinaridade, os desgastes e a queda do nível de qualidade por essa forma diferenciada de tratamento. Aí chegamos ao que interessa a todos: a qualidade do atendimento. Imagine você ou uma pessoa próxima a ser atendido num hospital. Todos fazem o que podem e o que não podem para dar o melhor atendimento possível. Ao menos, de inicio. Com o tempo e o desgaste, o trabalho passa a ser muito mais a sobrevivência e a obrigação de um salário do que o prazer em ajudar pessoas... E aí é que mora o perigo.
Por isso, da próxima vez que vir alguém de branco, não se esqueça que pode ser um açougueiro, e quando vir alguém de terno, pode ser um segurança. Não desmerecendo nenhuma das classes, mas elas não são endeusadas como os médicos e advogados. Pense se deve tratá-los como Doutor ou como “Dotô”.
Antigamente, o nível superior se restringia quase que apenas à Medicina, o Direito e a Engenharia. Entre os três, os médicos com suas impecáveis roupas brancas e os advogados com seus irrepreensíveis ternos se destacavam, e os engenheiros nem tanto. Hoje, temos faculdades para todos os cantos, e para finalidades que nem sabíamos existir. Ou mesmo que achemos necessárias. Mas será que são mesmo desnecessárias?
Quem faz parte das classes mais novas, quase sempre se sente marginalizado e desvalorizado justamente por conta da ignorância que carregamos conosco. Se um curso de Medicina dura seis anos, de Direito, cinco anos, e um de Artes Cênicas, cinco anos, deve mesmo ser diferenciado? Hoje, na área de saúde, temos além da medicina, cursos de psicologia, fisioterapia, nutrição, enfermagem, educação física e outros. Mas o reconhecimento técnico-científico e mais ainda financeiro, não se compara.
A discrepância é tanta, que um médico recém formado chega a ganhar três vezes mais que qualquer outro profissional da saúde, mesmo este possuindo mais tempo de estudo, mais títulos e mais conhecimento. Ignora-se que Doutor é aquele que tem o título por ter demonstrado conhecimento através de um doutorado, que chega a ser duas ou três vezes mais longo que um mestrado.
Em experiência própria, já cheguei a discutir com médicos de vasta experiência sobre o assunto e, como nenhum deles apresenta a titulação necessária, me recuso a chamá-los de doutor, a não ser em frente aos pacientes. Mas nesse caso, exijo o mesmo tratamento por parte deles. Ainda mais no interior do que nas capitais, o título de doutor ostentado por esses profissionais satisfaz seus egos, e muitas vezes não são justificados nas ações.
Uma questão dessas pode parecer irrelevante para a maioria da população, mas é visível em locais onde é constante a interdisciplinaridade, os desgastes e a queda do nível de qualidade por essa forma diferenciada de tratamento. Aí chegamos ao que interessa a todos: a qualidade do atendimento. Imagine você ou uma pessoa próxima a ser atendido num hospital. Todos fazem o que podem e o que não podem para dar o melhor atendimento possível. Ao menos, de inicio. Com o tempo e o desgaste, o trabalho passa a ser muito mais a sobrevivência e a obrigação de um salário do que o prazer em ajudar pessoas... E aí é que mora o perigo.
Por isso, da próxima vez que vir alguém de branco, não se esqueça que pode ser um açougueiro, e quando vir alguém de terno, pode ser um segurança. Não desmerecendo nenhuma das classes, mas elas não são endeusadas como os médicos e advogados. Pense se deve tratá-los como Doutor ou como “Dotô”.
publicado no site Infoco CS: http://www.infococs.com.br/odoutoreodoto.php
A diferença é clara, porém ela não existe na cultura que se formou devido a falta de informação de nossos antepassados.
ResponderExcluirHoje, qualquer um que tenha um cargo elevado, ou um pouco de poder se torna Doutor, mesmo que ele seja Tecnico em Manutenção, se ele chegar a assumir um cargo de vice presidente de uma empresa pela boa gerencia dele, ele se torna Dr.Tecnico em Manutenção.
É triste, mas é a realidade! Belo texto amigo!
Olha, vai me desculpar, mas isso parece recalque. Os médicos e em alguns casos, os advogados, recebem o tratamento de doutor muito antes que o meio acadêmico criasse a titulação de "Doutor" em alguma coisa. E depois, hoje em dia não é raro uma faculdade fazer a titulação de Doutor antes mesmo que a pessoa faça o seu mestrado (tirando aí o fator de tempo de estudo que você apontou). Minha irmã é doutora em biologia e não fez mestrado, também fui aceita em um programa de Doutorado da USP ainda recém formada na faculdade.
ResponderExcluirÉ só uma porcaria de um NOME. Se vão te chamar nos corredores de um hospital de Doutor, Mané ou Luquinhas, não importa, contanto que você faça seu trabalho direito.
Quanto à dizer que um médico ganha imediatamente um salário maior que fulano ou ciclano... você está equivocado, ou o sistema de saúde desse país não estaria na porcaria que está. Médico é tão mal-remunerado quanto qualquer outra profissão. Claro, se ele investir em equipamento e não cometer o erro de querer cair na rede pública, ele PODE vir a ganhar horrores.